Sem nome, nem endereço
A gente se encontrou num momento muito estranho das nossas vidas, né? Te encontrei naquela padaria por acaso mesmo indo ao seu encontro, o que não tornou tão por acaso assim. Vi você cantar e meus olhos brilhavam, o mundo parecia que tinha decidido parar naquele exato momento, e ao mesmo tempo sempre vem a sensação de que as horas voam como milésimos ao seu lado. Como você mesmo disse, o tempo passa diferente quando estamos juntos. Não só o tempo, mas parece que até o clima muda, minha aura se colore, meu sorriso transparece de forma tão boba, meu olhar te olha tão sinceramente.
Já te disse, é inexplicável por mais que eu tente explicar. Mesmo longe te sinto do meu lado; me toco e penso onde você me tocaria exatamente agora, me arrepio só de pensar no arrepio que te causo e em como você me alaga, porque a gente se alaga...
Passar horas contigo na cama é fichinha. Ah, meu preto, conversar com você é como adentrar num mundo que de tão profundo eu me belisco pra entender se é real mesmo. A gente se joga no sofá, porque na matéria de estar confortável perto do outro a gente tira dez. A gente pode rir, reclamar, xingar o mundo, chutar o balde, falar até em tacar fogo em tudo, porque a gente pode simplesmente ser a gente, da nossa forma tão anormal e bela.
Meu bem, a gente sabe dos lugares que podemos nos encontrar, que no final é só um colo que não tem endereço, e o que a gente é, o que a gente sente é especial demais pra ser nomeado.
Te amo.
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