Eu nasci pra amar





Pode parecer clichê ou papo de canceriano, mas eu definitivamente nasci pra amar. Desde mais nova sempre gostei de namorar, mas não entendia que amar era bem mais sério do que um namoro, afinal você não precisa namorar pra amar e nem amar pra namorar e isso eu só fui aprendendo com o tempo e, claro, com as pessoas.

Sou uma amante nata, doo-me de uma forma quase que integral, e olha que não estou falando apenas de amor romântico. Quando amo fico sem graça a maior parte do tempo, falo menos e ouço mais e o sorriso estampado é uma marca registrada da felicidade que eu sinto ao estar ao lado das pessoas que amo. Sim, eu sinto um frio na barriga, eu fico desconsertada e me reviro pra ajudar quando vejo necessidade, seja com palavras, como uma ouvinte ou com um abraço.

O amor é algo muito difícil de descrever e confesso que mesmo escrevendo o que sinto e sentindo o amor transbordar do meu peito, ainda não encontro palavras pra descrever o amor, e as palavras que eu encontro sempre acho limitadas demais pra tal sentimento. Lendo, ouvindo, sentindo e vivendo, aprendi uma coisa que chamou muito minha atenção de uns tempos pra cá sobre o amor e as relações, aprendi sobre a liberdade afetiva, um termo me abriu os olhos pra me questionar o que realmente é o amor, e como o colocamos nas nossas relações. 

Como disse não estou aqui falando sobre amor romântico, na verdade não estou falando do amor apenas num relacionamento amoroso, ou seja, um casal. A liberdade afetiva vai muito além disso, vai no discernimento do seu espaço e do espaço do outros, e no simples entendimento de que somos pessoas únicas que não se completam, mas que se somam e que, ainda assim, podem se amar, podem se preocupar com o outro, ter empatia nas situações, passar uma madrugada conversando, fazer um jantar especial, dizer o quanto o outro é lindo, abraçar quando sentirem vontade, dormir juntos se desejarem.

Já o amor romântico muitas vezes nos cega. Num romance nós depositamos expectativas muitas vezes irreais e a frustração vem, e quando vem, pode ter certeza que muitas coisas terão de ser colocadas em pratos limpos. O amor romântico pode trazer uma noção de que nós pertencemos apenas àquela pessoa e ela nos pertence, o que não é e nem deveria ser verdade. Ele pode até se tornar narcisista, controlador e egoísta, pois o romântico pode buscar suprir suas próprias necessidades, não aceitar as diferenças entre ambos, e manipular o outro para conseguir exatamente o que quer. Nesse caso o amor não é direcionado para o próprio sentimento e nem para o outro, ele é direcionado para os próprios ideais e vontades.

“Ai, que horror, Aline! Isso parece papo de gente mal amada ou que sofreu decepção amorosa”. É, talvez! Não vou negar que já sofri em alguns relacionamentos, mas por conta desse sofrimento e desses momentos de reflexão sobre tudo o que aconteceu comigo, eu pude, pelo menos, aprender com meus próprios erros e acertos, e também com as atitudes dos outros, e hoje eu sei o que não quero num relacionamento e procuro me compreender diante das situações que a vida me coloca ou compreender minha reação perante as situações que eu mesma me enfio. 

Parece complicado, não é? Realmente não é fácil. Nascer para amar é uma responsabilidade e tanto, mas principalmente uma responsabilidade consigo mesmo, porque antes de amar qualquer pessoa, eu preciso me enxergar, me conhecer e me amar, o que é um exercício árduo e diário. Eu nasci pra amar, e eu não quero abrir mão disso porque amar é simplesmente a melhor coisa do mundo!

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